terça-feira, 4 de dezembro de 2018

A Girafa, o Macaco, o Leão e o Gorila





A Girafa, o Macaco, o Leão e o Gorila


D. Girafa vivia feliz no seu pedacinho de floresta. Tinha as folhas verdes e luminosas das árvores para se alimentar, e um rio azul contornando as matas, lhe   matava a sede.

                Certa feita, seu amigo Macaco, da cidade dos bichos, foi visitá-la, e trouxe-lhe novidades:

- Sabe, D. Girafa, o prefeito Leão disse que é preciso um mutirão para cuidar das árvores, evitando-se queimadas.

A D. Girafa ouviu atenta o seu amigo, porém não gostava do prefeito. Ela votou em seu oponente, o Gorila. Seu candidato perdeu a eleição por pouca diferença de votos. Assim ele despediu-se da visita, a Girafa conversou consigo mesma em alto e em bom som:

-Já sei, vou queimar todas essas árvores e aí eu quero ver quem ganha as próximas eleições! Vai dar Gorila na cabeça!

E assim o fez.  D. Girafa pôs fogo em todas as árvores ao seu redor.

Quando o Macaco retornou para uma nova visita, encontrou a Girafa bem magra, sem as folhas das árvores para se alimentar. Por sorte, ele havia trazido uns cachos de banana, e a amiga comeu com vontade.

Assim que a D. Girafa se fartou das bananas, ele tratou de dar notícias da cidade dos bichos:

- Amiga, o prefeito Leão afirmou que é necessário a participação de todos para cuidar dos rios e mantê-los limpos.

Assim que o macaco retirou-se da visita, D. Girafa tratou de colocar o seu plano em prática: passou a deixar todo o seu lixo na cabeceira do rio e sujá-lo o máximo que pôde.

Depois de algum tempo, o Macaco retornou para vê-la. E qual não foi a sua surpresa? Com pesar, encontrou a D. Girafa desnutrida por não ter alimento e doente por beber a água do rio poluída.

O   Macaco tentou socorrê-la de todas as formas, mas era tarde demais.

Autora: Cristina Baracat


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Dublin




Dublin

Junho de 2018. Desci no aeroporto de Dublin e vislumbrei um céu nublado, um vento frio cortando a pele. Saudades. Minha filha e meu genro moram naquela cidade.

Conhecida como a Esmeralda da Europa, Dublin tem verões distribuídos em belos parques. O rio Liffey corta a capital, convive com a cidade e se harmoniza com a sua paisagem. Diferente dos nossos rios que sofrem com o esgoto despejado em suas águas. Fico a me perguntar por qual motivo, pagamos pelo tratamento do esgoto, jogado em nossos rios e não recebemos pelo serviço. Nesse curto período de verão em Dublin, pela manhã a temperatura gira em torno de 5 graus e à tarde chega a 17 ou 18 graus. Satisfeitas, as pessoas vão para as ruas e até usam bermudas coloridas, saudando o sol!

Nos supermercados, as frutas ficam embaladas em sacos plásticos, apesar da menor variedade em relação àquelas encontradas no Brasil. O transporte rodoviário e ferroviário é espetacular. Linhas de trem ligam as cidades com preços acessíveis. Fico imaginando se no futuro, o Brasil terá a tão sonhada malha ferroviária, ligando de ponta a ponta as capitais em nosso país.

Numa daquelas tardes de junho, decidi conhecer Sandycove, próxima a Dublin. Queria entrar no museu James Joyce, além de ser uma bela e pequena cidade à beira mar. A tarde oferecia fortes ventos e céu nublado. Depois de visitar os principais pontos turísticos, sentei-me num banco, e fiquei a observar a praia sem areia, contida por muros de arrimo. Eu estava de cachecol e blusa de frio. Curiosa, olhava os seus moradores. Pareciam alegres, tomando banho de mar com um sabor bem distante dos trópicos.

             Enquanto observava aquelas pessoas a se banharem, numa água e num tempo para mim excessivamente frios, lembrei-me do poema de Gonçalves Dias: Canção do Exílio. Sempre achei aquele poema, próprio dos românticos, uma espécie de lirismo saudosista exagerado. Mas, naquele instante, como um véu a desnudar o meu rosto, pude revisitá-lo com um novo e estranho sentimento na alma.

            Voltei à infância e à casa de minha avó em Minas Gerais. De mãos calejadas e com uma bacia de alumínio ao colo, sentou-se ao sol, e pôs-se a cortar com a faca a couve em fios. Com que destreza ela divide aquelas folhas da largura ínfima de uma linha? Depois, o feijão, feito com muito alho. Nunca mais comi um feijão como aquele. Em Dublin, há muitos brasileiros, e não foi difícil encontrar um restaurante de comida mineira.

            Quando pousei no Brasil, era então tarde da noite. Chamei um táxi para a casa. No caminho, desejei sinceramente que o povo do meu país tivesse um governo justo e bom. Desejei que o dia amanhecesse e eu pudesse ver o sol, o céu azul e sentir aquele calor morno.

Ao acordar fui ao mercado em busca de frutas. Saboreei ao máximo cada um daqueles manjares. O quarto desejo... Planejar as férias que me sobraram: sentar-me ao sol em uma praia bem acolhedora, talvez ao sul da Bahia e percorrer quilômetros e mais quilômetros de areias brancas e quentes. 

Cristina Baracat





sábado, 29 de setembro de 2018

De nós

Paragens





Paragens

                                              
Teu coração é cor do vento.

Teus pés são caravelas soltas ao mar.




Tua rede mata a minha sede.

Teu colar são sementes de luar.




Sobrevoo, avisto terra.

Meu desejo é o teu paladar.  




Ternura à vista,

 Me entrego ao teu descobrimento.
                                                                Cristina Baracat