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domingo, 28 de abril de 2013
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Vida Flor
Vida flor
Cristina
Baracat
Vida flor
Cadê o meu jardim?
Tá cheio de
jasmim!
Vira flor
O meu amor
Foi-se embora
Ai que dor!
Beija a flor
Cadê o meu amor?
Foi-se agora
Pra Pasárgada
Onde mora a passarada
Vida flor
Sou do amor
Nasci do calor
Vira flor
Sol tá quente
Só a gente
Entende o que é amor
Beija a flor
Chame um médico
Por favor!
Vida flor
Me dá um remédio?
Seu doutor!
Vira flor
Diz pra ela
Quem é o seu amor
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Na amora
Na amora
Cristina Baracat
Vida fora
Vida flora
Vida agora
Não vá embora
Quando se namora
Com sabor de amora
Lá vem a aurora
Sol, mar e lua
Vem a chuva
Sem demora
Vem você
E me namora
terça-feira, 16 de abril de 2013
Espíritos elementais
ESPÍRITOS ELEMENTAIS
Cristina Baracat
A imaginação não é um país de névoa, de criações vagas e incertas. É fonte de vitalidade, energia, movimento... (Emmanuel, psicografia de Chico Xavier)
Duendes, fadas, sacis e Mães d’água são conhecidos pelos céticos como obra da imaginação literária, e, no Brasil, é parte reservada ao folclore nas escolas.
No entanto, o livro “Libertação”, capítulo 4, “Numa cidade estranha”, faz menção explícita aos seres conhecidos como elementais, mais precisamente aos duendes:
(...) Quem chorava nos vales extensos da lama? criaturas que houvessem vivido na terra que recordávamos, ou duendes desconhecidos para nós? (p. 64)
André Luiz se refere claramente a duendes desconhecidos para nós... Na verdade, quase tudo nos é desconhecido. Sabemos muito pouco e amamos menos ainda. Entre nós, ainda existe um abismo entre razão e amor. Esse descompasso deixa-nos perdidos, perplexos ante o nosso não-saber.
Os cantos bárdicos do século IV da nossa era, segundo a tradição gaélica, citado no livro de Léon Denis, “O Gênio céltico e o mundo invisível”, no capítulo VIII, toca em nossa transição evolutiva de modo poético. Grosso modo, abrange nossa transformação de pedra em vegetais, de animais silvestres e aquáticos em seres elementais e destes em homens:
Existindo desde remota antiguidade no seio de vastos oceanos, não sou nascido de um pai e de uma mãe, mas de formas elementares da natureza. Dos ramos da bétula, do fruto dos frutos, das flores da montanha. Toquei a noite, adormeci na aurora; fui peixe no lago, águia nos cumes, lince na floresta. Depois, escolhido pelo “Gwyon” (espírito divino, pelo sábio dos sábios, adquiri a imortalidade. Passou-se muito tempo desde que fui pastor.(...)(p.126)
Repare que o canto, de maneira poética, registra a longevidade até alcançarmos o estágio hominal, em que o poeta, pela metonímia, chama de pastor: Passou-se muito tempo desde que fui pastor. (...)
Por isso, não somos seres criados à parte do universo, somos criaturas integradas no universo, tema que é retomado pelo espírito Paulino Garcia, no livro “Espíritos elementais”, da lavra mediúnica de Carlos A. Baccelli.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Exercício na 3a. idade
Exercício na 3ª. idade
Cristina Baracat
A
idosa fazia a sua caminhada no escuro. O médico recomendou. Explico: tinha o
hábito de acordar cedo. Cinco da madruga já estava de pé.
Detalhe: ela morava perto do cemitério.
A residência das “almas” era cercada por
um muro baixo ocupando por três quarteirões, e, do lado externo da rua, havia um largo passeio, facilitando esse tipo de exercício físico.
Ah!
Chamava-se dona Leonina. O pai
escolheu esse nome. Dizia que a filha tinha os mesmos olhos espertos da
avó e a braveza de uma leoa!
No
entanto, ela era conhecida pelos vizinhos como dona Leozinha. Ainda escuro, nossa jovem velhinha bebeu uma xícara de café e saiu para a caminhada.
O sussurro do vento mais parecia vozes saídas do cemitério.
Enquanto andava, dona Leozinha olhou
para trás. Dez metros de distância e viu
o vulto de um homem. Era alto e usava casaco preto. Por precaução, ela apertou
o passo.
O homem aumentou a velocidade. Era como se quisesse alcançá-la. Dona Leozinha
olhou de novo para trás. O desconhecido se aproximava cada vez mais.
Ela
tentou apressar-se. Não adiantou. As pernas já não eram as mesmas do tempo da
mocidade. Ele agora já estava ao seu lado. A aposentada o mirou de cima até embaixo.
Era um homem excessivamente magro e pálido. Dona Leozinha resolveu cumprimentá-lo,
mas ele continuava a olhá-la de modo fixo e em silêncio.
Aquela
situação se tornara desconcertante. A senhora suava frio, enquanto pensava que
o melhor seria continuar a caminhar. De
relance, viu que o tal sujeito segurava um revólver na mão direita.
Dona
Leozinha já pensava em fazer companhia aos mortos do cemitério e preparava-se para se despedir deste mundo.
Era o fim. Alguém se lembraria dela?
De
uma hora para outra, o homem quebrou o silêncio e perguntou: “A senhora não tem
medo de andar sozinha nestas horas da madrugada, ainda no escuro?” A idosa
teve a impressão de ver nele certo
prazer ao percebê-la com medo.
Dona
Leozinha arregalou bem os olhos antes de responder. Sentiu toda a água do seu
corpo se transformar em suor, gotejando pelo rosto. Com uma tranquilidade que
ela mesma não saberia de onde havia saído, disse: “Quando eu era viva, sim!”
O homem estacou, depois se recompôs, e,
sem nada responder, apertou o passo, quase correu. Em questão de minutos, nossa
aposentada o observava, virando a esquina.
Dona
Leozinha, intrigada, pensou: “Caramba! Esse sujeito tem fôlego. Me deixou pra
trás na caminhada !”
quinta-feira, 11 de abril de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Morada do Escritor: Chico, a menina e a janela
Morada do Escritor: Chico, a menina e a janela: CHICO, A MENINA E A JANELA Cristina Baracat Margareth Menezes Na rua, o caos do trânsito em Belo Horizonte....
Chico, a menina e a janela
CHICO, A MENINA E A JANELA
Cristina Baracat
Margareth Menezes
Na
rua, o caos do trânsito em Belo Horizonte. No correio, cabisbaixa, a
funcionária se ressentia do excesso de trabalho. Chamou o próximo da fila. Era um
homem, com uma carta simples. Percebeu a cara amuada da atendente. Saudou-a,
dizendo; “Nada nos falta!”
A
moça sorriu sem graça e o senhor completou com bom humor, dando tapinhas na sua
barriga avantajada: “Nada nos falta mesmo!”
Gordinha,
a funcionária não resistiu à cena e riu. Ele sacou do bolso uma foto e mostrou-lhe
Chico Xavier. Olhando o retrato, ela abriu um sorriso e exclamou que o conheceu
na infância. Tinha três anos de idade, mas tinha a sensação que tinha sido no
dia anterior...
Intrigado,
o homem perguntou o que havia acontecido. A moça respondeu que a família de seu
pai era de Pedro Leopoldo. A fim de conhecer o avô, ela, o pai, a mãe e a irmã saíram
de Itabira até Belo Horizonte, e, depois de seis horas de viagem, embarcaram
para Pedro Leopoldo. Contou que era uma menina franzina, debilitada e doente.
Nada parava no seu estômago. Hospedaram-se na casa do avô.
O
tio Nuca, frequentador do Centro Espírita Luiz Gonzaga, foi visitá-los e ficou
comovido ao vê-la naquele estado. Pediu aos seus pais para levá-la até ao Chico.
Muito católicos, eles ficaram receosos. Mas o avô intercedeu e permitiram.
Quando
ela chegou ao Centro Espírita, o Chico a carregou no colo e levou-a para uma
janela. Lá, havia uma paisagem comum de Minas Gerais, mas para ela foi uma
visão diferente, que ficou na memória. Não se lembrava do que ele dissera, nem
do seu rosto, mas a música que ele cantou, ficou marcada em seu coração.
O
senhor a interrompeu e perguntou que música era. Ela sorriu e começou a cantar com suavidade,
como se o tempo parasse: “Mãezinha do Céu, eu não sei rezar/ só sei
repetir, eu quero te amar/ Azul é teu manto, branco é teu véu/ Mãezinha eu
quero te ver lá no céu...”
Depois, quando
cresceu, sua mãe contou que Chico Xavier lhe deu um copo d’água para beber e
disse que nunca mais ela iria sofrer daquele mal.
Incerto
pela pausa da moça, o homem perguntou se havia algo mais. A mulher lembrou-se: “Anos
mais tarde minha mãe acrescentou que cheguei em casa e dormi muito. Um sono tão profundo que ficaram preocupados.”
E a menina nunca mais teve nada de mal. Mas...
aquela janela... a paisagem... ela não esqueceu
mais. Nem a canção.
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