quinta-feira, 18 de abril de 2013

Vida Flor







 
Vida  flor
                           Cristina   Baracat
Vida flor
Cadê  o meu jardim?
  cheio  de  jasmim!
 
Vira   flor
O meu amor
Foi-se  embora
Ai  que  dor!
 
Beija  a   flor
Cadê o meu amor?
Foi-se   agora
Pra   Pasárgada
Onde  mora  a passarada
 
Vida  flor
Sou  do  amor
Nasci  do  calor
 
Vira  flor
Sol  tá quente
Só a gente
Entende   o  que é  amor
 
Beija  a flor
Chame  um   médico
Por  favor!
 
Vida  flor
Me    um remédio?
Seu doutor!
 
Vira  flor
Diz  pra  ela
Quem  é  o  seu   amor
 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Na amora


Na  amora

                             Cristina Baracat
 
Vida  fora
Vida  flora
Vida  agora
Não     embora
 
Quando  se  namora
Com  sabor de amora
Lá vem a aurora
 
Sol,  mar  e  lua
Vem  a  chuva
Sem  demora
 
Vem você
E   me  namora 



 
 

 

 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Espíritos elementais



ESPÍRITOS ELEMENTAIS

                      Cristina   Baracat


         A imaginação não é um país de névoa, de criações vagas e incertas. É fonte de vitalidade, energia, movimento... (Emmanuel, psicografia de Chico Xavier)
            
            Duendes, fadas, sacis e Mães d’água são conhecidos pelos céticos como obra da imaginação literária, e, no Brasil, é parte reservada ao folclore nas escolas.
            No entanto, o livro “Libertação”, capítulo 4, “Numa cidade estranha”, faz menção explícita aos seres conhecidos como elementais, mais precisamente aos duendes:
            (...) Quem chorava nos vales extensos da lama? criaturas que houvessem vivido na terra que recordávamos, ou duendes desconhecidos para nós? (p. 64)
            André Luiz se refere claramente a duendes desconhecidos para nós... Na verdade, quase tudo nos é desconhecido. Sabemos muito pouco e amamos menos ainda. Entre nós, ainda existe um abismo entre razão e amor. Esse descompasso deixa-nos  perdidos, perplexos ante o nosso não-saber.
        Os cantos bárdicos do século IV da nossa era, segundo a tradição gaélica, citado no livro de Léon Denis, “O Gênio céltico e o mundo invisível”, no capítulo VIII, toca em nossa transição evolutiva de modo poético. Grosso modo, abrange nossa transformação de pedra em vegetais, de animais silvestres e aquáticos em seres elementais e destes em homens:
       Existindo desde remota antiguidade no seio de vastos oceanos, não sou nascido de um pai e de uma mãe, mas de formas elementares da natureza. Dos ramos da bétula, do fruto dos frutos, das flores da montanha. Toquei a noite, adormeci na aurora; fui peixe no lago, águia nos cumes, lince na floresta. Depois, escolhido pelo “Gwyon” (espírito divino, pelo sábio dos sábios, adquiri a imortalidade. Passou-se muito tempo desde que fui pastor.(...)(p.126)       
        Repare que o canto, de maneira poética, registra a longevidade até alcançarmos o estágio hominal, em que o poeta, pela metonímia, chama de pastor: Passou-se muito tempo desde que fui pastor. (...)
       Por isso, não somos seres criados à parte do universo, somos criaturas integradas no universo, tema que é retomado pelo espírito Paulino Garcia, no livro “Espíritos elementais”, da lavra mediúnica de Carlos A. Baccelli.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Exercício na 3a. idade


Exercício na 3ª.  idade 

                                          Cristina Baracat

          A idosa fazia a sua caminhada no escuro. O médico recomendou. Explico: tinha o hábito de acordar cedo.  Cinco  da madruga já estava de pé.

         Detalhe: ela morava perto do cemitério.  A residência das “almas” era cercada por um muro baixo ocupando por três  quarteirões, e, do lado  externo da rua, havia um  largo passeio, facilitando esse tipo de  exercício físico.

         Ah!  Chamava-se dona Leonina. O pai  escolheu esse nome. Dizia que a filha tinha os mesmos olhos espertos da avó e  a braveza de uma leoa!  

No entanto, ela era conhecida pelos vizinhos como dona Leozinha.  Ainda escuro, nossa  jovem velhinha  bebeu uma xícara de café e saiu para a caminhada. O sussurro do vento mais parecia vozes saídas do cemitério.

         Enquanto andava, dona Leozinha olhou para trás. Dez metros de distância e  viu o vulto de um homem. Era alto e usava casaco preto. Por precaução, ela apertou o passo.   

         O homem aumentou a velocidade.  Era como se quisesse alcançá-la. Dona Leozinha olhou de novo para trás. O desconhecido se aproximava cada vez mais.

Ela tentou apressar-se. Não adiantou. As pernas já não eram as mesmas do tempo da mocidade. Ele agora já estava ao seu lado. A aposentada o mirou de cima até embaixo. Era um homem excessivamente magro e pálido. Dona Leozinha resolveu cumprimentá-lo, mas ele continuava a olhá-la de modo fixo e em silêncio.   

Aquela situação se tornara desconcertante. A senhora suava frio, enquanto pensava que o melhor seria continuar a caminhar.  De relance, viu que o tal sujeito segurava um revólver na mão direita.  

Dona Leozinha já pensava em fazer companhia aos mortos do cemitério  e preparava-se para se despedir deste mundo. Era o fim. Alguém se lembraria dela?

De uma hora para outra, o homem quebrou o silêncio e perguntou: “A senhora não tem medo de andar sozinha  nestas  horas da madrugada, ainda no escuro?” A idosa teve a impressão de ver nele certo  prazer ao percebê-la  com  medo.

         Dona Leozinha arregalou bem os olhos antes de responder. Sentiu toda a água do seu corpo se transformar em suor, gotejando pelo rosto. Com uma tranquilidade que ela mesma não saberia de onde havia saído, disse:  “Quando eu era viva, sim!”

         O homem estacou, depois se recompôs, e, sem nada responder, apertou o passo, quase correu. Em questão de minutos, nossa aposentada o observava, virando a esquina.

Dona Leozinha, intrigada, pensou: “Caramba! Esse sujeito tem fôlego. Me deixou pra trás na caminhada !”

 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Morada do Escritor: Chico, a menina e a janela

Morada do Escritor: Chico, a menina e a janela: CHICO, A MENINA E A JANELA   Cristina Baracat Margareth Menezes   Na rua, o caos do trânsito em Belo Horizonte....

Chico, a menina e a janela


CHICO, A MENINA E A JANELA

 

Cristina Baracat

Margareth Menezes

 

Na rua, o caos do trânsito em Belo Horizonte. No correio, cabisbaixa, a funcionária se ressentia do excesso de trabalho. Chamou o próximo da fila. Era um homem, com uma carta simples. Percebeu a cara amuada da atendente. Saudou-a, dizendo; “Nada nos falta!”

A moça sorriu sem graça e o senhor completou com bom humor, dando tapinhas na sua barriga avantajada: “Nada nos falta mesmo!”

Gordinha, a funcionária não resistiu à cena e riu. Ele sacou do bolso uma foto e mostrou-lhe Chico Xavier. Olhando o retrato, ela abriu um sorriso e exclamou que o conheceu na infância. Tinha três anos de idade, mas tinha a sensação que tinha sido no dia anterior...

Intrigado, o homem perguntou o que havia acontecido. A moça respondeu que a família de seu pai era de Pedro Leopoldo. A fim de conhecer o avô, ela, o pai, a mãe e a irmã saíram de Itabira até Belo Horizonte, e, depois de seis horas de viagem, embarcaram para Pedro Leopoldo. Contou que era uma menina franzina, debilitada e doente. Nada parava no seu estômago. Hospedaram-se na casa do avô.

O tio Nuca, frequentador do Centro Espírita Luiz Gonzaga, foi visitá-los e ficou comovido ao vê-la naquele estado. Pediu aos seus pais para levá-la até ao Chico. Muito católicos, eles ficaram receosos. Mas o avô intercedeu e permitiram.

Quando ela chegou ao Centro Espírita, o Chico a carregou no colo e levou-a para uma janela. Lá, havia uma paisagem comum de Minas Gerais, mas para ela foi uma visão diferente, que ficou na memória. Não se lembrava do que ele dissera, nem do seu rosto, mas a música que ele cantou, ficou marcada em seu coração.

O senhor a interrompeu e perguntou que música era.  Ela sorriu e começou a cantar com suavidade, como se o tempo parasse: “Mãezinha do Céu, eu não sei rezar/ só sei repetir, eu quero te amar/ Azul é teu manto, branco é teu véu/ Mãezinha eu quero te ver lá no céu...”

Depois, quando cresceu, sua mãe contou que Chico Xavier lhe deu um copo d’água para beber e disse que nunca mais ela iria sofrer daquele mal.

Incerto pela pausa da moça, o homem perguntou se havia algo mais. A mulher lembrou-se: “Anos mais tarde minha mãe acrescentou que cheguei em casa e dormi muito.  Um sono tão profundo que ficaram preocupados.”

 E a menina nunca mais teve nada de mal. Mas... aquela  janela... a paisagem... ela  não  esqueceu mais. Nem a canção.