ESPÍRITOS ELEMENTAIS
Cristina Baracat
A imaginação não é um país de névoa, de criações vagas e incertas. É fonte de vitalidade, energia, movimento... (Emmanuel, psicografia de Chico Xavier)
Duendes, fadas, sacis e Mães d’água são conhecidos pelos céticos como obra da imaginação literária, e, no Brasil, é parte reservada ao folclore nas escolas.
No entanto, o livro “Libertação”, capítulo 4, “Numa cidade estranha”, faz menção explícita aos seres conhecidos como elementais, mais precisamente aos duendes:
(...) Quem chorava nos vales extensos da lama? criaturas que houvessem vivido na terra que recordávamos, ou duendes desconhecidos para nós? (p. 64)
André Luiz se refere claramente a duendes desconhecidos para nós... Na verdade, quase tudo nos é desconhecido. Sabemos muito pouco e amamos menos ainda. Entre nós, ainda existe um abismo entre razão e amor. Esse descompasso deixa-nos perdidos, perplexos ante o nosso não-saber.
Os cantos bárdicos do século IV da nossa era, segundo a tradição gaélica, citado no livro de Léon Denis, “O Gênio céltico e o mundo invisível”, no capítulo VIII, toca em nossa transição evolutiva de modo poético. Grosso modo, abrange nossa transformação de pedra em vegetais, de animais silvestres e aquáticos em seres elementais e destes em homens:
Existindo desde remota antiguidade no seio de vastos oceanos, não sou nascido de um pai e de uma mãe, mas de formas elementares da natureza. Dos ramos da bétula, do fruto dos frutos, das flores da montanha. Toquei a noite, adormeci na aurora; fui peixe no lago, águia nos cumes, lince na floresta. Depois, escolhido pelo “Gwyon” (espírito divino, pelo sábio dos sábios, adquiri a imortalidade. Passou-se muito tempo desde que fui pastor.(...)(p.126)
Repare que o canto, de maneira poética, registra a longevidade até alcançarmos o estágio hominal, em que o poeta, pela metonímia, chama de pastor: Passou-se muito tempo desde que fui pastor. (...)
Por isso, não somos seres criados à parte do universo, somos criaturas integradas no universo, tema que é retomado pelo espírito Paulino Garcia, no livro “Espíritos elementais”, da lavra mediúnica de Carlos A. Baccelli.
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