sexta-feira, 31 de maio de 2013

Segunda morte

SEGUNDA MORTE
Cristina Baracat
E é morrendo, que nascemos
 para a vida eterna.
No capítulo 6, do livro Libertação, psicografado por Chico Xavier, encontramos diálogo interessante.
         Para responder aos questionamentos de André Luiz, o Instrutor, Gúbio, levanta a questão: ... Já ouviste falar, (...), numa “segunda morte”... (p.105)
         Afinal, o que seria isso? Morremos uma segunda vez?
O assunto vem à tona quando André Luiz e o Instrutor estão numa região trevosa com o objetivo de resgatar Gregório, um espírito endividado. Ao observar formas ovóides, as perguntas do aprendiz levam Gúbio a explicá-lo como é a segunda morte. Como um professor atencioso para alunos interessados, ele a divide em partes:
a)     Na primeira, refere-se a espíritos mais evoluídos, que perdem o veículo perispíritico, conquistando planos mais altos;
b)    Na segunda, ocorre com espíritos que necessitam se reencarnar na Terra. Nesse caso, eles se submetem a operações redutivas e desintegradoras dos elementos perispíriticos[1] para renascerem.
O Instrutor expõe ainda uma terceira ocorrência. Diz respeito a personalidades ignorantes e más. São transviados e criminosos que perdem a forma perispiritual e imantam-se aos que se lhes associaram nos crimes.
O aprendiz, em diálogo com Gúbio, as descreve como formas indecisas, obscuras. Assemelham-se a pequenas esferas ovóides, um pouco maior que o crânio humano.
Essas formas ovóides habitam as regiões trevosas, aderidas às entidades afins, que de certa forma, são parceiros nos erros praticados.
Portanto, segundo André Luiz, existem três tipos de morte: a primeira  refere-se aos espíritos mais elevados em direção a planos evoluídos; a segunda diz respeito aos espíritos que reencarnam na Terra; e a terceira ocorre com  espíritos presos na consciência obscura do mal.    
Apesar de não ser fácil, nossa aspiração deve consistir no desenvolvimento do nosso corpo em matéria sublimada e divina, morrendo para habitar dimensões superiores da Vida. Como? O Instrutor aconselha-nos enriquecer a mente de conhecimentos novos e purificá-la nas correntes iluminativas do bem.



[1] Perispírito: Mais "grosseiro" que o espírito e mais "sutil" que o corpo. Constituído a partir   do "Fluido Cósmico Universal", que Kardec defendia ser a matéria primordial de que se compõe o universo.

Pão de Açúcar e bondinho








Pão de Açúcar e bondinho
Cristina Baracat

Década de setenta, o Brasil vivia a euforia de ser tricampeão na Copa do Mundo. O regime militar ditava as regras. A  Austrália  e a  Nova Zelândia retiravam-se do  Vietnã. Os Estados Unidos reduziam, assim, o número de soldados na guerra. Mas isso era insignificante  para os meus seis  anos de idade.
O importante  era  a formatura  no pré-primário do colégio São Pascoal, no bairro caiçara em Belo Horizonte.  A turma comemorou o rito de passagem com um chapéu de soldado feito de papel com as cores do Brasil. Cantamos na  apresentação   Eu te amo meu Brasil da dupla Dom e Ravel, sucesso nas paradas  do rádio.
Outro acontecimento: Meus pais, tios e vó juntaram dinheiro durante o ano afim  de  conhecerem o Rio de Janeiro. Eu me perguntava: Como seria o mar para alguém  nascida e criada entre as montanhas? Uma piscina é fácil, mas... e o oceano?
A família alugou um pequeno apartamento em Copacabana. Ninguém reclamou da falta de espaço. Afinal, para que existiam colchões extras e sofás? Os passeios no Rio é que fariam a diferença.
No entanto, uma cena ficou retida em minha memória. Eu, de mãos dadas com o meu pai, atravessando de bondinho em direção ao Pão de Açúcar. Maravilha! Acima, o infinito do ar, abaixo, o azul do mar! Três americanos conversavam entre si, dentro daquele pequeno espaço. Eu, já cantava algumas musiquinhas em inglês na escola e o meu ouvido identificava, apesar de criança, o idioma dos estrangeiros.
Não perdi a oportunidade de chamar atenção de meu pai. Adorava quando ele comentava com os adultos o que eu fazia ou dizia. Ele era o meu herói! Então, perguntei: “Papai, porque essas pessoas estão falando enrolado?” Conforme eu esperava, ele achou graça da minha pergunta,  e explicou-me pacientemente o que eu já sabia: “ São americanos e estão conversando em inglês.”
Como me diverti nesse passeio! E os adultos? Acho que são crianças crescidas. Duvido que alguém não tenha cometido loucuras em qualquer idade ou tenha feito as maiores idiotices para ser correspondido por aqueles a quem amamos!
                                                                 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Segunda morte

Segunda morte
                                   
                     Cristina Baracat

E  é morrendo, que nós nascemos
 pra vida eterna.

            No capítulo 6, do livro Libertação, psicografado por Chico Xavier, encontramos um diálogo curioso.  
         Para responder aos questionamentos de André Luiz, o Instrutor levanta a questão:  ... Já ouviste falar, (...), numa “segunda  morte”...(p.105)
         Afinal, o que seria isso? Morremos  uma segunda vez?    
O assunto vem à tona quando André Luiz e o Instrutor estão numa região trevosa com o objetivo de resgatar Gregório, um espírito endividado. Ao observar formas ovóides, as perguntas do aprendiz levam o Instrutor a explicá-lo como é a segunda morte.  A  exemplo de um professor atencioso, ele a divide em partes:
a)     Na primeira, ocorre com espíritos que necessitam se reencarnar na carne terrestre. Nesse caso, eles se submetem a operações redutivas e desintegradoras  dos elementos perispíriticos[1]  para renascerem;
b)    Na segunda, refere-se a espíritos mais evoluídos, que perdem o veículo perispíritico, conquistando planos mais altos.
O Instrutor expõe ainda uma terceira ocorrência. Diz respeito a personalidades ignorantes e más. São transviados e criminosos que perdem a forma perispiritual. Grande número,  imantam-se aos que se lhes associaram nos crimes.
O aprendiz, em diálogo com o Instrutor, as descreve como formas indecisas, obscuras. Assemelham-se a pequenas esferas ovóides, um pouco maior que o crânio humano.  
Essas formas ovóides  habitam as regiões trevosas, imantadas às entidades  afins, que de certa forma, são parceiros nos erros praticados.
Apesar de não ser fácil, nossa aspiração deve consistir no desenvolvimento do nosso corpo em matéria sublimada e divina. Como? O Instrutor aconselha-nos: enriquecendo a mente de conhecimentos novos e purificando-a nas correntes iluminativas do bem



[1] Perispírito: Mais "grosseiro" que o espírito e mais "sutil" que o corpo. Constituído a partir   do "Fluido Cósmico Universal", que Kardec defendia ser a matéria primordial de que se compõe o universo.

domingo, 26 de maio de 2013

Unlimited: Clipe do Dia

Unlimited: Clipe do Dia: Evaldson Bispo dos Santos, vulgo Galinha Tonta, é um mineirinho desdentado que aos sete anos de idade começou a ter uns sonhos muito estra...

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Hora marcada


Hora marcada  
                                                                    Cristina Baracat 
                                     
Acontece, porém, que o inesperado surge de repente, carreando bens ou males que a criatura,
sempre  acalentada pela esperança, não conta receber de improviso. [1]

Chuva fina cobria a paisagem de arranha-céus e casas penduradas entre morros e montanhas em Belo Horizonte.
      Sentiu um calafrio percorrer o corpo. A cabeça lhe doía, pesava sobre os ossos. Um leve suor escorria de suas mãos finas e frias.
      Olhou ao redor. A casa estava deserta. Sabia que tinha um compromisso marcado para 3 horas da tarde. O marido e os filhos saíram na frente.  Por que não a esperaram? Algo lhe dizia que estava atrasada e não poderia faltar. Quando o telefone tocou, de manhã bem cedo, ainda atordoada, levantou-se para atender. Anotou no papel algumas orientações: velório 7, enterro às 15: 00 horas.
       Entrou no quarto, calçou um sapato simples, vestiu um casaco marrom. Passou um leve batom rosa nos lábios. Pegou as chaves do carro e deu a partida. Chegaria a tempo? Olhou o relógio. Faltavam dez minutos para as 3: 00 horas.
        Ligou o rádio do carro. De onde estava chegaria rápido. Por que não se lembrava de quem seria o velório? Estava confusa quando atendeu a ligação telefônica. Devia ser um colega de trabalho do marido que faleceu. Ela precisava estar lá. Por que o marido levara os dois filhos adolescentes? Seria alguém da família que havia morrido? Tentou o celular. Desligado.
      Finalmente, conseguiu estacionar dentro do cemitério. Consultou o relógio: 15 horas e 5 minutos. Ainda chegaria a tempo. Olhou o papel anotado e localizou o número do velório. Percebeu que o cortejo saía com uma pequena multidão. Aliviada, respirou fundo. Clima estranho aquele: sol com chuva, casamento de viúva!
     À medida que se aproximava, as pessoas do cortejo fúnebre foram se fazendo familiares. À frente, o marido e os dois filhos. Atrás, a mãe, as cunhadas e as sogras. Alguns primos e colegas de trabalho também estavam lá.
     Aproximou-se, enlaçou-se nos braços do marido. No entanto, ele estava tão compenetrado que nem percebeu a sua chegada.  O cortejo estacou no local onde seria o enterro. O caixão abriu-se. Rosas brancas foram jogadas sobre o corpo que repousava sobre a paz silenciosa dos mortos.
Fixou o olhar sobre o caixão. Sentiu uma dor aguda. Segurou-se nos braços do esposo para não cair. Os filhos de olhos vermelhos jogavam rosas brancas. Sentiu-se sem lugar e espaço. Articulou palavras soltas, desconexas. Ninguém a ouvia! Dirigiu-se aos familiares e eles não respondiam aos seus apelos. Por que todos a ignoravam?
Um leve abatimento tomou conta do seu semblante. De novo, aquela sensação de sem tempo e sem espaço invadiu o seu cérebro. Apalpou-se, sentindo o seu corpo.
De suas mãos, um frio suor escorria. O que seria a morte? Sentiu um líquido escorrendo de sua testa. E aquelas mãos cruzadas lá dentro, sobre o peito? De quem eram?
O mesmo casaco marrom, o batom rosa de minutos atrás. Ela estava ali, bem à sua frente, dentro do caixão. Quem era ela afinal? Como poderia ocupar dois lugares ao mesmo tempo? Estaria ao lado do marido e dos filhos? Ninguém lhe explicou como seria a passagem.
Sentiu outro calafrio. Ao longe, avistou alguém. Era um homem alto, de cabelos grisalhos e blusa branca. Ele era o único que conseguia vê-la. Sentiu certo alívio, afinal, ela existia. 
Um senhor de blusa branca acenou para ela e convidou-a para ir com ele. Mas... para onde? Uma insegurança atravessou-lhe os sentidos. Olhou para trás, percebeu que naquele funeral, ela era ignorada. Ali não haveria lugar e nem espaço.
Olhou com imenso carinho para cada um dos seus familiares e amigos. Depois, virou-se e seguiu com o homem de blusa branca. Ele buscou as suas mãos, segurando-as com firmeza. Seu coração ainda sentia a mesma indecisão de antes.
Com suas dores e velhas lembranças, recomeçou com passos trôpegos. Aos poucos, firmou as pernas. Era preciso  seguir adiante.     



[1] Psicografia de  Francisco C. Xavier, em Uberaba, no Grupo Espírita  da Prece, na noite de 21 de junho de 1980, dirigida à esposa sra. Irene Netto, o médico José  Murillo  Netto fala sobre a sua desencarnação e do que já aprendeu em quase três anos no mundo espiritual.