sexta-feira, 31 de maio de 2013

Pão de Açúcar e bondinho








Pão de Açúcar e bondinho
Cristina Baracat

Década de setenta, o Brasil vivia a euforia de ser tricampeão na Copa do Mundo. O regime militar ditava as regras. A  Austrália  e a  Nova Zelândia retiravam-se do  Vietnã. Os Estados Unidos reduziam, assim, o número de soldados na guerra. Mas isso era insignificante  para os meus seis  anos de idade.
O importante  era  a formatura  no pré-primário do colégio São Pascoal, no bairro caiçara em Belo Horizonte.  A turma comemorou o rito de passagem com um chapéu de soldado feito de papel com as cores do Brasil. Cantamos na  apresentação   Eu te amo meu Brasil da dupla Dom e Ravel, sucesso nas paradas  do rádio.
Outro acontecimento: Meus pais, tios e vó juntaram dinheiro durante o ano afim  de  conhecerem o Rio de Janeiro. Eu me perguntava: Como seria o mar para alguém  nascida e criada entre as montanhas? Uma piscina é fácil, mas... e o oceano?
A família alugou um pequeno apartamento em Copacabana. Ninguém reclamou da falta de espaço. Afinal, para que existiam colchões extras e sofás? Os passeios no Rio é que fariam a diferença.
No entanto, uma cena ficou retida em minha memória. Eu, de mãos dadas com o meu pai, atravessando de bondinho em direção ao Pão de Açúcar. Maravilha! Acima, o infinito do ar, abaixo, o azul do mar! Três americanos conversavam entre si, dentro daquele pequeno espaço. Eu, já cantava algumas musiquinhas em inglês na escola e o meu ouvido identificava, apesar de criança, o idioma dos estrangeiros.
Não perdi a oportunidade de chamar atenção de meu pai. Adorava quando ele comentava com os adultos o que eu fazia ou dizia. Ele era o meu herói! Então, perguntei: “Papai, porque essas pessoas estão falando enrolado?” Conforme eu esperava, ele achou graça da minha pergunta,  e explicou-me pacientemente o que eu já sabia: “ São americanos e estão conversando em inglês.”
Como me diverti nesse passeio! E os adultos? Acho que são crianças crescidas. Duvido que alguém não tenha cometido loucuras em qualquer idade ou tenha feito as maiores idiotices para ser correspondido por aqueles a quem amamos!
                                                                 

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