DOENÇA E CURA
Maria Cristina Baracat
Estamos
acostumados na vida cotidiana a cuidar somente de nossas dores físicas.
Esquecemos que ela é um aviso, ou melhor, um alarme de que algo em nossa alma
não se encontra bem.
A
causa da dor física não estaria primeiro em nosso espírito, ou seja, em nossos
hábitos contrários às leis divinas?
Em
Missionários da Luz, escrito por
André Luiz (Espírito) e psicografado por Chico Xavier, no capítulo 19,
intitulado Passes, narra-se o caso de
um senhor, que frequenta uma casa espírita, e está em tratamento.
André
Luiz descreve a cena:
“À
nossa frente estava um cavalheiro idoso, que o orientador examinou com atenção.
Por minha vez, observei-lhe o fígado e o baço, que acusavam enorme
desequilíbrio.”
O
chefe de auxílio esclarece que ele está em tratamento através do passe pela
décima vez:
“- Lastimável! - exclamou o chefe do auxílio,
depois de longa perquirição. -Entretanto, apenas poderemos aliviá-lo. Agora,
após dez vezes de socorro completo, é preciso deixá-lo entregue a si mesmo, até
que adote nova resolução.”
Anacleto
explica que o aparente insucesso na cura da doença daquele homem está
relacionado aos seus antigos hábitos:
“-
Este homem, não obstante simpatizar com nossas atividades espiritualizantes, é
portador de um temperamento menos simpático, por extremamente caprichoso.
Estima as rixas frequentes, as discussões apaixonadas, o império de seus pontos
de vista. Não se acautela contra o ato de encolerizar-se e desperta
incessantemente a cólera e mágoa dos que lhe desfrutam a companhia. Tornou-se,
por isso mesmo, o centro de convergência de intensas vibrações destruidoras. (...)”
Anacleto
esclarece como a providência divina tem atuado no caso em questão:
“Frequenta-nos
há pouco mais de três meses e, durante esse tempo, já lhe fizemos as dez
operações de socorro integral, alijando-lhe as cargas malignas, não só dos
pensamentos de angústia e represália que ele provoca nos outros, mas também dos
pensamentos cruéis que fabrica para si. (...)”
Anacleto
fala sobre a interrupção do socorro, para que a dor atue como processo educativo.
Considera que no momento oportuno, ele receberá novamente o auxílio completo:
“Agora,
temos que interromper o serviço de libertação por algum tempo. A sós com sua
experiência forte, aprenderá lições novas e ganhará muitos valores. Mais tarde,
receberá, de novo, o socorro completo.”
Esse
fato encerra grande lição.
Sequer
refletimos sobre a dor. Simplesmente lamentamos: Estou doente, quero me curar,
não mereço passar por isso.
Esquecemos
que a doença física é apenas o efeito de nossas atitudes, ou seja, de nossos antigos
hábitos. Ainda é difícil para nós, seres de um planeta em evolução, cuidarmos
primeiro da alma.
Quem
sabe no futuro, não muito distante, a doença física não seja mais necessária?
Mas até lá, compreendamos que ela é mecanismo da misericórdia divina para os
nossos ajustes em busca da harmonia maior.

