Galopé
Este conto é dedicado à memória de
Orestes Sachi, membro fundador do
Sindicato dos Químicos em Iguatama,
falecido em 13 dezembro de 2012
Quem
gosta de uma política, junta no bar do Batoré. Por lá já vi muito político
perder e ganhar a eleição. Tem gente que aparece até pra... fazer negócio: Só
sei do milagre. Do Santo? Não vi não!
Não
carece da escrita. Ocê bebe a cerveja e vai guardando no canto da mesa. O Batoré
recolhe ela não! Nos finalmente, conta o tanto que deu de garrafa e ocê paga
tudo! É prosa certa! A cachaça é da boa até na risca do copo!
O
Batoré serve de um tudo com galopé. O amigo não sabe? Então lá vai: cozinha
um galo junto com o pé de porco. No tempero, vai cebola, pimenta....
Outro
dia, um professor apareceu no bar do Batoré e explicou: o palavreado galopé é justa... justaporção. Ocê junta galo mais pé
... do porco e vira galopé.
Fartura no galopé e bem me aparece o Tião, com aquele cabelo de fogo feito espiga
de milho, um agigantado de branquidão feito cera! O home arrebentou no
discurso:
- Minha gente, o galopé e a bebida eu pago!!!! Dessa vez eu entro pra política!
- Minha gente, o galopé e a bebida eu pago!!!! Dessa vez eu entro pra política!
Cresceu palma de todo o lado pro
Tião! Não demorou e apareceu o Toizim. Mais preto que carvão e com o riso no
dente feito clarão de lua. Numa magreza, feito vara de bambu. Tinha posto
escuta no amigo. Coçou o cabelo crespo e deu a resposta:
- Ô Seu Tião, não arrepara não. Eu
mais minha família vai apoiar o senhor não, porque eu lá vou na candidatura a
vereança também!
Tião espetou a unha com a ponta do canivete, e
veio cortando, feito navalha:
-Larga de bestage, home, porque
preto não vota em preto, e branco não vota em preto!
Toizim pôs freio no rompante, ficou
mais mudo que passarinho tristinho na gaiola. Riu de beiço apertado. Deu de
ombro no galope. No pensamento dele não carecia de virar rixa por causa de
política.
No finalmente da eleição, a turma
correu pra prosear e fazer a festança no bar do Batoré. Galopé na serventia e
lá vai cachaça da boa mais cerveja! Toizim alevantou com a gengiva vermelha na alvura do dente e deu a palavra:
-
Tá todo mundo na serventia! É pra comemorar a minha vereança!
A turma aplaudiu foi muito. Até quem
não votou nele!
Lá
no fundo do bar, Toizim espiou matreiro a oposição. Foi chegando macio e deu um
tapa de cumprimento nas costas do Tião. Gracejou que nem pinto no lixo de tão
alegre:
- Uai, Tião, cê num disse que preto
não vota em preto? Que coisa, né? Até os branco votaram em mim!
Tião, feito cor do leite, ficou
vermelho que nem minha plantação de pimentão da fazenda, querendo dá o troco:
- Não te falei que nego é tudo
safado? Preto só serve pra fazer pneu!
Toizim abriu a janela do sorriso e
alavancou com a melhor marca do moderno:
-Vixi Maria, Seu Tião, que preto
quando faz pneu é Radial!
[1]
O conto narrado, ocorrido na
cidade de Iguatama, foi acrescido pela imaginação literária. Meus sinceros
agradecimentos a Monoel Bibiano, ex-prefeito de Iguatama e exímio contador de
histórias. Agradeço também a acolhida do casal Tonico e Edna.

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