O cata-vento
Num dia de sol, longe de todos, passei a mão num pedaço de papel, um graveto e uma cola de lama, sentando num barranco, fiz com uma imensa alegria o meu cata-vento. Com foi lindo vê-lo rodar em direção oposta ao vento forte que desalinhava meus cabelos! Os meus olhos brilharam encantados com o novo brinquedo.
Estava aborrecido com meu pai, o que me deixava profundamente triste. Pelo fato de ter me espancado por conta de algo que não me lembro, saí a correr pelos arvoredos e debaixo de uma árvore onde havia uma pedra majestosa, pude ver um rio em busca da natureza que se fazia lívida.
Que coisa boa sentir toda a liberdade longe do meu pai. O cata-vento com suas pontas viradas e arredondadas feitas por mim, estava perfeito! O vento fazia com que me esquecesse a dor da agressão.
Fiquei muito tempo até despertar para um dia de esplendor. Não lembro o que ouve e muito menos lembro o que passou. Foi como o cata-vento me encantou:
O Cata-vento
Cata-vento
Cata amor
Cata fora
A minha dor
Cata-vento
Cata a flor
Cata agora
O meu amor
Cata-vento
Cata a fé
Cata-vento
Para o amor
Cata-vento
Livra o meu amor
Para o meu pai
Que sente dor
Cata no meu coração
Entender o porquê
De tanta dor!
Lumar
Página recebida pela médium Neide, na reunião do dia 30/03/2013, na Fraternidade Espírita Nosso Lar, em Belo Horizonte.
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